Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e a pandemia Covid-19

Atualizado: Ago 11

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é um dos principais transtornos mentais, caracterizado por alta morbidade e prejuízo social significativo. No Brasil, 80% da população em geral já foi exposta a pelo menos um evento traumático ao longo da vida em grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, e a prevalência de TEPT foi estimada em torno de 10%, sendo que as mulheres são as mais sofrem desse transtorno. O TEPT é um transtorno que apresenta como característica a dificuldade de recuperação após vivenciar um ou mais acontecimentos que envolveram morte ou grave ferimento, reais ou ameaçados. Isso inclui situações de desastres naturais e doenças, ser vítima de assalto ou sequestros ou presenciar crimes violentos. Além disso, já é sabido que a exposição a estressores de médio impacto por longo período, também pode gerar esse quadro. Sendo assim, a pandemia do Covid-19 pode gerar casos de transtorno estresse pós-traumático não só para os profissionais que atuam na linha de frente no tratamento dos doentes.


No TEPT a pessoa apresenta gatilhos que podem trazer de volta memórias do trauma acompanhadas por intensas reações emocionais e físicas. Os sintomas podem ocorrer em qualquer idade. No geral, tem início nos três primeiros meses após o evento traumático, mas pode ocorrer um intervalo assintomático de meses ou mesmo anos. Além disso, pode acarretar outros transtornos como Transtorno de ansiedade generalizada (TAG), Depressão, Transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Nesses casos, o TEPT é considerado um transtorno primário que muitas vezes pode ser mascarado pela presença dos demais transtornos. Cabe sempre uma investigação minuciosa da história de vida do paciente para o diagnóstico correto.


O TEPT apresenta diversos sintomas.

1. Relacionados ao Humor

  • Perda de interesse ou prazer nas atividades

  • Descontentamento geral

  • Sofrimento emocional

  • Ataque de pânico

  • Desesperança

  • Nervosismo

  • Solidão

  • Culpa

  • Raiva

2. No comportamento

  • Comportamento autodestrutivo

  • Isolamento social

  • Hipervigilância

  • Automutilação

  • Irritabilidade

  • Hostilidade

  • Agressão

  • Agitação

  • Gritos

3. Sintomas Psicológicos

  • Ansiedade severa

  • Desconfiança

  • Depressão

  • Alucinação

  • Flashback

  • Medo

4. No sono

  • Privação de sono

  • Terror noturno

  • Pesadelos

  • Insônia

5. Na cognição

  • Pensamentos indesejados

  • Pensamentos suicidas

6. No Corpo

  • Perda de consciência

  • Estresse agudo

  • Dor de cabeça

A importância da resiliência como fator de proteção ao TEPT

A resiliência é a capacidade de se recuperar em uma situação de crise e aprender com ela. Trata-se de um processo interativo do indivíduo e seu meio e há uma variação individual no que se refere a respostas ao risco. Ou seja, os mesmos fatores causadores de estresse podem ser vivenciados de diversos modos por diferentes pessoas. Alguns estudos mostram que existem fatores individuais associados à resiliência como afeto positivo, pensamento positivo, controle do comportamento, altruísmo e alguns fatores familiares como comunicação entre os membros da família, suporte emocional, intimidade, cuidados parentais. O melhor de tudo é que a resiliência é uma habilidade que pode ser aprendida.

Tratamento

O tratamento do TEPT inclui psicoterapia e terapia medicamentosa para tratar os sintomas.

Intervenções psicoterapêuticas no tratamento do Transtorno do estresse pós-traumático

Embora não haja um único modelo de intervenção, há cinco elementos que reconhecidamente podem ser utilizadas como estratégias de intervenção:

1. Compreensão da reação ao trauma: o psicoterapeuta ajuda a vítima a compreender a situação através da Psicoeducação. Nessa técnica o paciente aprende a compreender os sintomas, se separar do problema, identificar as crenças abaladas sobre si, os outros e o futuro. Além disso, tem informações realistas e de qualidade em relação ao transtorno.

2. Redução da ansiedade: técnicas para controlar imagens e pensamentos intrusivos, técnicas de relaxamento e respiração.

3. Autorrevelação construtiva: encorajar o indivíduo a contar a história do trauma, pois é mais provável que a tentativa de conter o trauma acarrete em uma piora dos sintomas físicos e psicológicos.

4. Criação de uma narrativa do trauma: a narrativa deve ser guiada. A vítima deve detalhar quais forças pessoais são mobilizadas, como alguns relacionamentos são melhorados, como a vida espiritual fortaleceu a valorização da própria vida.

5. Estabelecer nova posição frente ao desafio: aceitar a melhora sem a culpa de ter “sobrevivido”, criação de uma nova identidade como sobrevivente ao trauma.

A pandemia do Covid-19 tem ocasionado muitas situações estressantes. Embora algumas pessoas sejam capazes de lidar com incidentes críticos e depois voltar a uma rotina diária normal, muitas pessoas não possuem essa capacidade o que pode ser um fator predisponente ao desenvolvimento do TEPT. Portanto, nesse momento, é importante ficarmos atentos a forma como nós e as pessoas que nos cercam respondemos a essas situações de estresse e, se necessário, buscar ajuda nos primeiros sintomas. Além disso, já vimos que a resiliência é um fator protetivo em relação ao TEPT. Então, “bora lá” dedicar ao desenvolvimento dessa habilidade?

Os Psicoterapeutas estão super habilitados para te ajudar nisso!


No nosso texto Estratégias para o controle da ansiedade você encontrará dicas para passar por essa pandemia de forma mais tranquila.

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